Túlio Regis

 
 
Janeiro 2008

Túlio, é um prazer ter você aqui no portal OMG. Pra quem não te conhece conte-nos um pouco da sua conversão e amizade com o pessoal do Oficina G3 da época.

Bom, me converti em uma casa de recuperação, depois de uma maneira digamos muito diferente. Conhecemos o Tio Cássio que era de uma igreja revolucionária dos anos 70, onde verdadeiramente o movimento com jovens no Brasil começou. Lá conheci o Manga (Luciano) e o pessoal, éramos o Cristo Salva e ficamos conhecidos pelas reuniões evangelisticas que fazíamos com o pessoal sentado no chão e só pessoas digamos “underground" que participavam dessas reuniões. Tanto que fizemos um casamento de rippies evangélicos, isto foi um assunto nacional quando aconteceu.

E já nesse tempo você tocava algum instrumento?

Não, mas um dia disse para Jesus “Senhor, gostaria tanto de te adorar tocando, mas não toco nada”. Então olhei um dia para o piano e falei “gostaria tanto de tocar” e em um domingo duas horas antes do culto cheguei na igreja e não tinha ninguém, entrei pela porta e de cara vi o piano e disse “puxa, sete anos para aprender, como gostaria de louvar o Senhor nisto”. Aí uma voz me disse “Túlio vá ao piano” e eu fui não atentando para o que estava acontecendo. Ao chegar a voz me disse “Abra a boca do piano” e conseguinte “Túlio, coloque as mãos nas teclas”, e sem perguntar coloquei, e sem saber tocar nada nem posições, os acordes vinham como se já soubesse tocar.

Depois de cinco meses estava tocando na igreja, sem ninguém me ensinar, fazendo músicas nos acordes complicados, e depois vieram músicas e letras como Naves Imperiais e outras.

E como foi o início do Oficina G3

O Cristo Salva era muito conhecido, era praticamente a única banda jovem evangélica dentro deste perfil jovem, mas com o tempo a igreja do Tio Cássio ficou mais tradicional e perdeu a característica jovem culminando com uma nova visão e perfil, e com o conflito e divisões nós oramos e saímos do Tio Cássio.

Saímos também graças ao início do movimento gospel do Brasil, digamos, no Dama Xoc. Primeiro fomos como Cristo Salva, na segunda vez iríamos como “G3”, pois haviam três grupos na Cristo Salva, a de nome próprio, a segunda outra banda tipo Paralamas do Sucesso e o “G3” com o perfil mais evangelistico.

Eu, o Manga, o Juninho Afram, Maradona e o Walter fomos tocar pela segunda vez como “G3” e um amigo nosso deu outro nome para agregar uma idéia “Oficina”. Então juntamos tudo e surgiu o Oficina G3 numa noite no Dama Xoc, uma casa de shows que era usada para evangelismo.

No momento em que o Oficina G3 estava crescendo e fazendo muito sucesso você decidiu sair.

Nossa saída se deu quando passava por momentos difíceis na área pessoal, e não podia mais ficar no Oficina G3, pois entendi que era hora de sair. Me disseram que fiquei doido, pois por que sair de uma banda como aquela no auge e top.

Mas sinceramente, desde que entrei na igreja meu intuito não era para fazer sucesso, mas adorar e retribuir o que Jesus fez em minha vida. Aliás, sei que hoje os caras (G3 atual) tem o mesmo sentimento. Falo com eles sempre, e estão firmes com Jesus e não são estrelas do Business como alguns. E em conversa com eles na época decidi sair.

O Juninho é o único que continua no G3, e o Manga, Waltão e Maradona onde andam?

Sim, o Juninho é o único sim. O Manga está no Rio de Janeiro na Vineyard, cuidando da estação base de lá e está muito bem e continua uma figuraça. O Walter e Maradona infelizmente não estão bem. Fico triste principalmente pelo Walter pela condição dele, espero que esteja bem, que se cuide e se deixe ser cuidado.

Por onde você andou nesses anos todos, e por que ficou longe dos holofotes?

Ótima pergunta. Fiquei primeiro cuidando de novos talentos, desenvolvimento de jovens para a adoração e louvor na Renascer quando o Oficina G3 praticamente entrou para lá, por convite da Sonia Hernandes. Depois saímos pelo que víamos o que estava acontecendo por lá, e tínhamos uma banda de evangelismo chamada Áquila, e ao sair da Renascer viajamos muito ministrando pelo Brasil, fora dele também pela América Central, Costa Rica, Guatemala e outros paises como os EUA.

O mais interessante era o contato com ministros do mundo todo, sabíamos o que estava acontecendo na adoração na Nigéria, Congo, Rússia, França, enfim, contatos com pessoas que eram perseguidas e países muito mais desenvolvidos em termos de adoração, que aliás, sinceramente somos muito arrogantes, achamos que somos os melhores e não somos. Temos muito que melhorar digo na adoração, não só o povo, mas o próprio dirigente de adoração, aqui temos muito que aprender e desenvolver espiritualmente e pessoalmente, nisto na Nigéria, América Central e Rússia é onde acho que se pratica a melhor adoração.

Por que você afirma isso?

Porque os ministros de adoração por lá são pastores, não são simplesmente cantores de igreja. Pastores digo, eles amam as vidas como pastores, seus microfones são púlpitos, suas baterias, guitarras, alias como na Nigéria eles tem somente a voz e pulam muito alto chorando e dizendo “Jesus é meu Jesusu, Jesus é meu”, e quem dirige não tem outra estrela a não ser Jesus, e é gente como os demais, chora e vive intimamente o que canta. E isto não é somente um sentimento, é um processo de maturação pessoal e espiritual. A maturação pessoal e espiritual nos leva aos segredos do Pai, cada um em sua área, por isso a adoração nestes lugares é melhor. Aqui infelizmente os lideres são imediatistas.

Pra você tudo isso foi uma grande experiência para seu ministério?

Sim, o contato com outras culturas, outras igrejas em outros países foi fantástico. Alias, até hoje temos contato e procuro passar isso as igrejas e ao pessoal de minha banda. Digo, não sejam músicos, sejam apaixonados e adoradores, a música e o talento de vocês não podem salvar ninguém. Ajuda sim, mas o relacionamento e intimidade de vocês com Deus é a chave.

Qual a diferença da música gospel do inicio dos anos 90 e agora?

Hummmmmm, a diferença é que hoje na maioria tudo é business infelizmente. Ainda nestes tempos se fazia as coisas com mais interesse no que Jesus esperava e hoje infelizmente tudo é maquiado no interesse do business. Mas acredito em pessoas que amam apaixonadamente Jesus para fazer a diferença.

E você está de volta com seu primeiro cd solo chamado "Para Ti" e com algumas regravações da época do Oficina G3, quais a músicas e por que elas?

Sim, lançamos o cd a um tempo atrás em um evento no Playcenter em São Paulo. As músicas da época do G3 são Naves Imperiais, Comunicação e Bom é Louvar com o David Fantazzini, que aliás ficou surpreendente.

O que vale salientar é a música inédita com participação do Oficina G3 que ficou fantástica.

Então o cd “Para Ti’ está repleto de participações especiais?

Além do Davi Fantazzini, o Juninho, Jean Carlo e Duca (atual formação do G3), Manga e também o Lufe ex-baterista do G3.

Todas as outras composições do cd também são suas?

São oito novas músicas e as três que já falamos aqui com novas versões, o cd está fantástico com muito rock, algumas baladas do nosso estilo mesmo. E estamos divulgando através dele o nome de Jesus em igrejas, shows, praças, eventos e enfim em todos os lugares.

Como o pessoal pode fazer contato com você?

Meu e-mail é tulioregis@hotmail.com , e os telefones para contato são (18) 9724-1262 ou 9728-8752.

Veja também uma entrevista nossa no youtube: http://br.youtube.com/watch?v=XiWJE8nmavE

Valeu Túlio, obrigado pelo carinho ao nos receber na Expo-Cristã, e também nesse bate papo. Deus abençoe seu ministério e que você continue sendo sempre uma nave imperial a serviço do nosso Rei. Abraço.

Eu é que fico feliz de ter voes como irmãos e amigos, que Deus vos abençoe, e em 2008 pode ter certeza que estaremos firmes fazendo com que os planos de Deus se concretizem em nossas vidas.

Valeu !!!

OMG

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